A Marca das Palavras.


No “A Marca das Palavras” por vezes colocarei palavras frescas e de esperança, outras vezes colocarei histórias com gente dentro (peço desculpa mas não me consigo habituar à palavra “estórias”), outras vezes falarei de livros. Hoje deixo-vos uma pequena história que às vezes conto em acções de formação. Tem um nome igual ao…deste blogue. Espero que vos possa ser útil.

“A marca das palavras”

Um jovem japonês tinha um comportamento verbal permanente e extremamente agressivo. Ninguém na família sabia o porquê. Ninguém na família era assim. O rapaz tinha sempre sido estimado e acarinhado.

O pai andava preocupado e triste, assistindo todos os dias ao arremessar das palavras do filho a todos os que o rodeavam, fossem quais fossem os graus de intimidade e os temas abordados.

Um dia, o pai entregou ao filho uma pequena tábua, pregos e um martelo, tudo contido numa bolsa fácil de transportar, e disse-lhe:

– Meu filho, tenho-me sentido muito triste com a raiva, o ódio e a agressividade das tuas palavras a todos os que te rodeiam. Tenho pensado muito no que te dizer, em como te ajudar. E hoje, decidi propor-te o seguinte: vais passar a andar com esta bolsa sempre contigo, excepto quando estiveres a dormir. E, sempre que quiseres dizer ou responder algo a alguém, em vez disso, retiras a tábua, um prego, e com o martelo espetas o prego na tábua…o que achas?

Apesar da agressividade impulsiva do rapaz, este, apesar de surpreendido, nada disse e aceitou a bolsa.
Semana após semana, o pai recolheu as tábuas cobertas de pregos das mãos do filho…e pacientemente substituía cada uma por uma tábua nova, renovando também o stock de pregos.

O tempo passou e cada vez as tábuas traziam menos pregos, até à semana em que a tábua apresentou apenas 2 pregos. Nesse dia, o pai chamou o filho e, sem uma palavra, expôs-lhe todas as tábuas por ordem cronológica, onde era patente a evolução lenta mas sustentada. Então perguntou:

– O que vês tu, meu filho?

– Tábuas com pregos, meu pai. – Retorquiu o filho.

O pai continuou dizendo:

– Meu filho, estou muito satisfeito com a tua evolução, que é corroborada pelas conversas que tenho tido com as pessoas que nos rodeiam, que estão muito agradavelmente surpreendidas com a tua mudança. É certo que falas muito, mas pelo menos não agrides ninguém. Mas o teu programa ainda não terminou, meu filho. Peço-te agora que uses o martelo, e que, com as suas orelhas, arranques todos os pregos que pregaste em todas estas tábuas, leves o tempo que levares…quando tiveres terminado, por favor diz-me, pois voltaremos a este tema.

E assim foi, prego após prego, o filho arrancou-os a todos, e quando terminou, chamou o pai.

Este disse-lhe:

– Meu filho, fizeste um bom trabalho. Diz-me agora, o que vês?

– Vejo tábuas, sem pregos, meu pai.

– Sim, meu filho. Mas diz-me, as tábuas estão iguais às que te entreguei, semana após semana?

– Não, meu pai, não estão. Foram-me entregues lisas, e agora estão cheias de marcas.

– Assim é com as palavras que dizemos…deixam sempre marca nas pessoas que as ouvem e que as lêem. Podes deixar marcas que são feridas, que doem e martirizam…mas podes deixar também marcas de enriquecimento, que tornem a madeira mais bela…como se de uma escultura se tratasse…e a escolha é tua…apenas tua. – volveu-lhe o pai.”

Normalmente depois de contar esta história em qualquer sessão de formação instala-se por breves momentos o…peso do silêncio.

Seja bem-vindo quem vier por bem, teria muito gosto se quiserem aqui acomodar a leveza ou o peso das vossas…palavras.

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Esta entrada foi publicada em Palavras que marcam.. ligação permanente.

4 respostas a A Marca das Palavras.

  1. Phoebe diz:

    As palavras são arcanas, tatuam, exortam…
    Gostei das suas.
    Bem-haja.

  2. Grato pelas suas palavras também.
    Tem razão, há palavras com mistérios dentro, outras que marcam e outras que exortam à acção.
    Abraço

  3. Luna diz:

    Não gosto de injustiças, nem de plágios ODEIO, por isso venho informar que existe uma pessoa no Facebook com o nome de Anita de Castro que usa parte dos seus textos como sendo dela. Peça amizade e comprove com os seis olhos. É indecente!!!
    Não lhe reconheci as palavras como sendo dela, por isso fiz pesquisa dos textos no Google e vim aqui parar. A minha consci~encia diz-me que devia informá-la.

  4. Obrigado Luna pelas suas palavras e pelo seu aviso. Eu não frequento o Facebook. Lamento que haja pessoas assim. Os meus textos estão registados junto das autoridades competentes e estão protegidos pelos direitos de autor, conforme está mencionado no topo do meu blogue.
    Bem-haja.

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